O Brasil pode estar a milhares de quilômetros do Oriente Médio, mas a economia da sua safra não tem fronteiras. Com aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no país sendo importados, qualquer instabilidade nas rotas globais de abastecimento chega rápido à planilha do produtor e pode elevar o custo de produção.

O acirramento do conflito entre Irã e Estados Unidos, além do risco concreto de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa parte expressiva da ureia consumida no Brasil, já está se traduzindo em aumento de fretes e pressão sobre preços. E o pior momento não poderia ser mais inconveniente: exatamente agora, quando produtores estão planejando a compra de insumos para a safra 2026/27

O que está em risco, na prática 

Uma nota técnica do Ministério da Agricultura (MAPA) acende o alerta com números concretos: o Brasil pode enfrentar um déficit entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026. Esse volume é suficiente para comprometer a produtividade de áreas significativas, especialmente em culturas de alta demanda nutricional, como a soja. 

Os efeitos já visíveis no mercado incluem: 

  • Alta nos fretes marítimos, com impacto direto no preço CIF dos fertilizantes importados. 
  • Pressão sobre a ureia e os fosfatados, com produtores postergando compras na esperança de estabilização. 
  • Aumento na incerteza para o planejamento de custo de produção, dificultando travar contratos de venda com margem segura 

Postergar pode ser um risco maior do que comprar agora 

A tentação de esperar por preços melhores é compreensível. Mas, em cenários de instabilidade geopolítica prolongada, a espera pode agravar o problema. Produtores que adiarem o planejamento de insumos correm risco de: 

  • Pagar mais caro se os preços continuarem subindo com o prolongamento do conflito. 
  • Enfrentar desabastecimento caso o déficit projetado pelo MAPA se confirme. 
  • Comprometer a adubação de base, com reflexo direto na produtividade e na rentabilidade da lavoura. 

O momento exige planejamento estratégico e não reação. 

Caminhos para reduzir a exposição ao risco 

Diante desse cenário, produtores e técnicos mais atentos já adotam estratégias como a antecipação de compras para parte do volume necessário, o que permite fixar preços e garantir a disponibilidade dos produtos. 

Além disso, realizam análises de solo atualizadas para otimizar a aplicação e evitar o desperdício de insumos caros, enquanto buscam a diversificação de fontes, priorizando fornecedores com menor dependência das rotas afetadas por conflitos. 

Nesse contexto, o uso de fertilizantes biológicos e bioestimulantes tem ganhado espaço como complemento à adubação mineral, reduzindo a necessidade de insumos importados. 

Essas soluções de nutrição biológica surgem justamente como uma resposta à volatilidade do mercado, não como uma substituição total, mas como um caminho para utilizar melhor o que se compra e proteger a eficiência produtiva, mesmo com volumes menores de fertilizante mineral. 

O que o produtor pode fazer hoje 

A crise de abastecimento de fertilizantes não é uma ameaça distante ou hipotética. É um risco real, mapeado pelo governo federal, e com janela de tempo curta para ser endereçado antes do início do ciclo de plantio 2026/27. 

Converse com seu consultor agronômico agora. Revise o plano de nutrição da safra, avalie alternativas complementares e tome decisões com base em dados não em expectativa de melhora espontânea do cenário geopolítico. 

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